Ainda tenho muita coisa do Peru para contar, mas resolvi pular alguns capítulos e ir direto para a saga da Bolívia. Eu prometi (cheguei até a jurar) que nunca mais viajaria sozinha por países subdesenvolvidos após meu fatídico (ou como diria o pessoal do Blog Finestrino, após meu episódio #fail) do Líbano. Não, essa história não está publicada aqui, por alguns motivos. 1 – não gosto de lembrar o que aconteceu naquele dia. 2 – ainda tenho pesadelos com o Hezbollah. 3 – a história está muito bem contada no e-book que vou lançar em breve (spoiler e jabá, pronto acabou!).

Mas as promessas foram para o ar quando a Tam me enviou um e-mail dizendo que eu tinha 10.000 milhas vencendo, tipo agora em novembro. Junte a isso o fato que eu achei o Visa Travel Money que eu levei para minha volta ao mundo e eu achava que eu só tinha U$300 no cartão e eu tinha U$612.  Aí, foi aquela famosa união do útil com o agradável e o resultado você lê por aqui.

Então planejei de forma muito rápida uma viagem para o Peru e Bolívia. Apesar de eu ter um blog de viagens, eu não saio com minhas viagens 100% planejadas. Diria que saio com o voo de ida e volta e a primeira noite reservada em algum hostel. E foi mais ou menos por aí.

No Peru tudo deu muito certo, achei até que as pessoas fazem certo terrorismo (nem é tão complicado assim comprar os tickets de Machu Picchu e nem precisa dessa fobia toda de sair com tudo comprado no Brasil. Leia meu Manual do Machu Picchu. Mas não posso dizer o mesmo da parte da Bolívia.

Começo aqui uma nova série de perrengues, começando pela minha jornada maluca para chegar em Uyuni. Eu como blogueira bem informada e participante ativa do fórum do Lonely Planet já sabia que de La Paz eu teria que pegar um ônibus para ir para Uyuni e o recomendável era que fosse o ônibus turístico. Obviamente não reservei nada online, porque acredito muito no poder da barganha (principalmente em países pobres).

A saga do ônibus de Uyuni

Cheguei em La Paz vindo de Copacabana meia-noite. Capotei até às 11 da manhã (sim, eu gosto de dormir, mesmo em viagens). Acordei e fui atrás da passagem para Uyuni. Na minha cabeça seria algo muito simples, algo como dar o dinheiro para alguma agência de viagens e pegar o ticket, só que não foi bem assim.

Para começar que a agência queria me convencer a todo custo a comprar o tal ônibus turístico da Todoturismo que custava 230 bolivianos (1 dólar = 6,9 bolivianos). Parecia até que o ônibus era a oitava maravilha do mundo só porque servia lanches e tinha máscaras de oxigênio para quem estava passando mal com a altitude. Eu insisti numa opção mais econômica e ela a contragosto me ofereceu o tal ônibus Trans Omar.

Foto retirada do site http://www.todoturismo.bo/. O tal ônibus da Todo Turismo

E esse é o famoso Trans Omar. Foto retirada do site http://www.transomar.com/

Ela ligou, perguntou se eles tinham passagem, eles confirmaram. Do momento que ela desligou o telefone e eu preenchi meus dados, foram menos de 3 minutos. E quando ela ligou para finalmente comprar meu bilhete, adivinha? O ônibus estava lotado. Imediatamente, pedi para ela ligar para a Todoturismo, afinal eu não iria deixar de conhecer Uyuni. Ela ligou e também estava lotado.

Aí ela simplesmente me disse que não dava para eu ir para Uyuni naquele dia (sábado), só no domingo. Eu disse que tinha que ir no sábado porque meu cronograma estava apertado e eu queria fazer o tour de 3 dias.

Como sou brasileira e não desisto nunca, fui em outra agência atrás de uma pessoa mais solícita. O rapaz era bem mais simpático, ligou para as duas empresas de ônibus e a resposta foi igual – os ônibus estavam lotados. Aí meio envergonhado, ele me ofereceu a opção de viajar com uma empresa chamada Panamericano. A passagem custava 90 bolivianos, mas segundo ele, o ônibus não era confortável. Eu teria topado viajar em pé por 12 horas se fosse preciso, mas infelizmente o ônibus também estava lotado (e não me deixaram ir em pé).

Aí comecei a apelar. Perguntei se não tinha voo, se eu não conseguia contratar um táxi (tipo assim, “só” uns 600 km) e as respostas eram sempre não. Até que ele se comoveu e me disse que tinha a opção de viajar com os ônibus locais, aqueles que os bolivianos pegam. Só que eu teria que ir até a rodoviária tentar comprar o bilhete.

Saí correndo da agência e fui para a rodoviária. Cheguei lá e vi mais umas 3 empresas que faziam o trajeto para Uyuni e fui perguntando se alguma tinha vaga e todas diziam que não (se eu não tivesse dormido até às 11 da manhã…)

Até que alguém gritou para mim e disse que tinha a opção de eu ir para Oruro e de lá fazer uma baldeação para Uyuni. Eu perguntei que horas saía o ônibus de Oruro e ninguém sabia responder. Mas me falaram que eu tinha que sair no ônibus das 14:00 hs para Oruro. Detalhe, no meu relógio eram 13:20 hs.

Saí correndo, negociei com um taxista para que ele me levasse no hostel e depois me levasse de volta para a rodoviária. Entrei no hostel, catei minha mochila (por sorte já tinha feito o check-out) e cheguei na rodoviária. Comprei umas coisas para comer e beber e entrei no ônibus.

Só que os brasileiros fazem tanto terrorismo com os ônibus locais que esperava dividir meu assento com galinhas. O ônibus era velho, mas cada um tinha o seu lugar e não, não tinha nenhuma galinha a bordo. Foram 4 horas e quando eu finalmente cheguei em Oruro, fui correndo atrás do ônibus para Uyuni. Eram 18 hs e o ônibus saía às 21 hs. Fiquei puta!

Os restaurantes próximos a rodoviária eram insalubres, então aumentei meu estoque de pringles, chocolates e coca-cola. Perguntei que horas o ônibus chegaria em Uyuni e me responderam que chegaria às 3 da manhã. WTF? O que eu faria em Uyuni sozinha às 3 da manhã? A moça que me vendeu o bilhete me garantiu que eu poderia dormir no ônibus até às 7 da manhã, então fiquei tranquila.

Enquanto eu esperava o ônibus na rodoviária de Oruro, vi 2 casais de noivos tirando fotos por lá. Oi? Parece que é prática comum na cidade. Também conversei com uma senhora boliviana e ela me garantiu que eu passaria muito frio no ônibus. Então fui no banheiro e vesti 2 calças, fiz várias camadas de blusas e separei 3 casacos para a jornada. Ainda estava traumatizada com o ônibus do Peru. Felizmente nenhuma blogueira de moda me viu, porque teria sido o look brega do dia (as roupas não combinavam entre si).

Só que não foi bem assim. Não passei frio no ônibus e o ônibus chegou em Uyuni às 5 e meia da manhã, o motorista não me deixou ficar dentro do ônibus e eu saí sem rumo no meio do breu. Vi alguns mochileiros e decidi segui-los. Eles entraram no que eu acho que era o ponto de venda de passagens de alguma empresa de ônibus. Entrei também e fiquei lá esperando o dia amanhecer. Quando o ônibus deles chegou, a loja foi fechada e eu voltei a vagar pelas ruas.

Não demorou 5 minutos para eu ser abordada por dezenas de agências locais me oferecendo o tour de Uyuni, mas essa é outra saga para outro post.

Informações importantes

Paguei 20 bolivianos de La Paz para Oruro. Existem inúmeras empresas que fazem o trajeto. Escolha a com o ônibus menos pior.

Paguei 40 bolivianos de Oruro para Uyuni. O nome da empresa era Trans Azul.

Valor total La Paz – Uyuni: 60 bolivianos versus 230 do ônibus Todoturismo, 120 do ônibus Trans Omar e 90 do ônibus Panamericano. Fica a dica se você quer economizar – pegue o ônibus local. Assim como no Peru, o segredo é comprar o bilhete direto na rodoviária.

A estrada é péssima e o único trecho asfaltado é de La Paz para Oruro. Depois é só no sacolejo, parece uma cadeira vibratória de massagem (só que não!). Ou seja, nem o melhor ônibus do mundo amenizará umas 6 horas da viagem. Eu tomei 2 comprimidos para dormir e não consegui. Fico extremamente feliz de ter pago apenas 60 bolivianos pelo trecho, apesar de todos os perrengues. Mas, na volta decidi não arriscar com a sorte e estava disposta a voltar com o turístico (fortes emoções, leia aqui e aqui).

 

 
Lembrou do seguro viagem? Ele é muito importante e obrigatório nos países da Europa que fazem parte do Tratado de Schengen e também em Cuba e Venezuela. Nos demais países também é recomendável a contratação, pois não podemos prever incidentes. Leia sobre minha internação na Tailândia. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, o custo médico diário de uma internação fica na faixa dos U$2.000 (caríssimo). Para os EUA a contratação de um seguro com cobertura de U$1 milhão não é exagero. Além disso, o seguro é super útil nos casos de cancelamento de viagem e extravio de bagagem (para citar alguns exemplos). Uso o seguro da Assist Card (vendido com desconto pela Real Seguros) há anos. Precisei utilizar 4 vezes durante minha volta ao mundo e sempre fui muito bem atendida. Você pode cotar com eles sem compromisso e, caso opte pela contratação, pode pagar em 6 vezes sem juros no cartão ou com desconto de 5% no pagamento à vista.
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