Não, você não perdeu nenhuma parte da história. Eu pulei propositalmente para um dos motivos que me fizeram encerrar a temporada na Europa e voltar para o Brasil.

Na verdade eu não ía escrever esse post. Confesso que fiquei um pouco assustada com a repercussão dessa série vida na Europa. Muita gente que eu nem conheço me mandou mensagem pedindo mais detalhes, pedindo para eu continuar escrevendo e querendo saber mais. Aí eu lembrei que as pessoas de fato leem esse blog (sim, às vezes esqueço desse pequeno detalhe). Antes era meia dúzia, hoje o número é bem maior e embora eu saiba que a exposição é grande, também acho importante mostrar que por trás disso aqui tem uma pessoa como qualquer outra. Tenho notado que a blogosfera de maneira geral é povoada por personagens. Pessoas que se levam a vida que dizem levar, apenas peço que me mandem a fórmula, pois não sabia que a vida perfeita estava disponível.

Enfim, voltei para o Brasil por causa de alguns motivos, mas hoje só vou falar de um deles. Meu pai tinha piorado. Ele tinha diabetes tipo 1, então sempre teve limitações. A mais notável de todas era o problema visual que foi piorando com o tempo.

E quando eu era adolescente, ele sofreu um acidente. Teve que operar uma das pernas e acabou tendo que se aposentar. Ele amava a profissão dele (era médico) e imagino o quanto deve ter sido difícil para ele abandonar a carreira.

Meu relacionamento com o meu pai também não era dos melhores. Só hoje consigo entender o quão difícil era a vida dele e entender muitas de suas atitudes. Assim como eu não sou uma pessoa muito boa para demonstrar sentimentos, ele também não era. Nós éramos muito iguais e hoje vejo em mim muitas coisas que eu reclamava do meu pai.

Quem convive ou já conviveu com doenças dentro de casa sabe o quanto isso pode ser estressante. Talvez tenha sido por isso que eu quis tanto morar fora do Brasil. Pode ter sido egoísmo puro, mas eu precisava de um tempo para mim.

E para encurtar uma história que é longa… Eu amo Londres, mas Londres foi uma madrasta para mim (nada contra as boas, estou falando daquelas nível Cinderela). Tudo o que vocês possam imaginar deu errado na minha tentativa de viver em Londres. Tudo! (detalhes em breve)

E eu acabei voltando para o Brasil já sabendo que teria mais alguns poucos anos de convivência com meu pai. Às vezes eu tenho aquele minuto Efeito Borboleta – e se eu não tivesse voltado?

Bom, já tive dias ótimos, bons, ruins e péssimos, mas se for para escolher o pior dia da minha vida, esse dia foi 22 de agosto de 2008.

Meu pai morreu numa sexta-feira no fim do dia. Logo depois que a notícia nos foi dada, eu liguei para o meu ex-chefe e disse que meu pai tinha falecido. Ele respondeu com um – “nossa, que chato!”. Perguntei quantos dias eu tinha de luto e não lembro se ele me falou 2 ou 3, mas ele ainda finalizou com um “te vejo tal dia”.

Foi a conversa mais insensível que  tive na vida e para ajudar, ele não avisou meus colegas que meu pai tinha morrido. Ou seja, muitos deles que eram meus amigos acabaram não indo no velório, até porque eu não tive cabeça para avisar as pessoas.

Muita coisa aconteceu desde então. Nesse meio tempo eu tentei morar em Dubai, morei na Austrália, dei uma volta ao mundo e pensei centenas de vezes em abandonar o Brasil de vez e voltar para a Europa. E só hoje percebi que não farei isso. Todas minhas tentativas de morar fora do Brasil não deram certo. Acho que finalmente consegui compreender a mensagem que não é para ser. Isso sem contar na família. E como a minha já é pequena, é inevitável pensar – e se eu estiver morando longe e acontecer alguma coisa? Ao mesmo tempo, sei que a decisão de ficar em Curitiba limita minha vida em muitos outros aspectos. Cada escolha, uma renúncia.

Não sei quem é que inventou essa história que o tempo cura tudo, porque infelizmente não cura, no máximo ameniza. A dor fica para sempre, até que um dia ela é convertida em lembranças. No meu caso, só as lembranças boas. Lembro das nossas viagens, nossas idas ao cinema e a última lembrança que tenho dele é como ele estava feliz e orgulhoso (apesar de bastante debilitado) no casamento da minha irmã.

Cinco anos se passaram. Cinco anos de saudades. Espero que realmente exista algo depois da vida e meu pai esteja bem. Também espero que um dia eu consiga não odiar o mês de agosto.

 

 

 


Lembrou do seguro viagem? Ele é muito importante e obrigatório nos países da Europa que fazem parte do Tratado Schengen e também em Cuba e Venezuela. Nos demais países também é recomendável a contratação, pois não podemos prever incidentes. Leia sobre minha internação na Tailândia. No caso dos Estados Unidos, por exemplo, o custo médico diário de uma internação fica na faixa dos U$2.000 (caríssimo). Para os EUA a contratação de um seguro com cobertura de U$1 milhão não é exagero. Além disso, o seguro é super útil nos casos de cancelamento de viagem e extravio de bagagem (para citar alguns exemplos). Uso o seguro da Assist Card há anos (faça sua cotação). Precisei utilizar 4 vezes durante minha volta ao mundo e sempre fui muito bem atendida. Você pode cotar com eles sem compromisso e, caso opte pela contratação, ainda tem um desconto extra de 5% de desconto utilizando o cupom PRECISOVIAJAR5.